O gás em Pernambuco

História

Contextualizar a utilização do gás nos melhoramentos urbanos ocorridos em larga escala no século XIX, em especial na cidade do Recife. Esta é a proposta da historiadora e engenheira Maria do Amparo Pessoa,  no livro “O gás em Pernambuco:  breve história da utilização do gás a partir do século XIX”.

A obra reconstrói  a história do uso do gás como fonte de energia em Pernambuco, desde as primeiras tentativas de implementação de um sistema de iluminação pública com esse recurso, no século XIX, até à criação da Copergás e sua evolução ao longo de uma década.

O início

Em meados do século XIX, a iluminação pública do Recife ainda era à base de azeite de carrapateira ou de cachalote, mesmo contra os pedidos da população por um sistema mais moderno e eficiente. Como envolviam altos e arriscados investimentos, o sistema de iluminação a gás só foi inaugurado na cidade em 1859, após o governo da província celebrar um contrato de concessão com empresários locais e ingleses.

O contrato previa a construção de uma fábrica de gás e toda a infraestrutura de distribuição necessária, incluindo os lampiões. Além disso, já determinava que o gás não se destinaria apenas à iluminação pública, mas também ao suprimento para iluminação de prédios do governo, comerciais e residenciais. O crescimento e o desenvolvimento da iluminação a gás só foi interrompido no final do século XIX, a partir do surgimento da energia elétrica.

A autora explica que,  contar esta parte da história sobre o gás como uma das fontes de energias principais no século XIX, também foi contar um pouco da história da iluminação pública, bem como da evolução urbana no País. Para Maria do Amparo, a utilização dessa tecnologia marcou a história porque foi além da função original da iluminação urbana, que era inicialmente voltada para questões de segurança pública, pois causou uma grande reformulação urbanística e uma mudança nos hábitos sociais ao permitir a vida noturna, quer fosse para o trabalho ou para o lazer.