Incentivo para gás veicular

03/01/2013

     A partir deste mês, o consumidor deve pagar menos pelo gás natural veicular (GNV). O governo do Estado pretende reduzir em R$ 0,20 o preço na bomba dos postos do metro cúbico do combustível para torná-lo mais viável. O projeto está para ser votado na Assembléia Legislativa de Pernambuco e, se aprovado, deve tornar o gás viável para os donos de carros como ocorria num passado recente. Há dez anos, o combustível era uma excelente opção para os motoristas que usavam seu automóvel para trabalhar, mas perdeu a popularidade com as altas sucessivas de preço. Hoje, o valor médio é de R$ 1,70. A gasolina gira na casa de R$ 2,70.

      Em Pernambuco existem cerca de 40 mil carros utilizando o GNV e a intenção da Copergás – órgão responsável pela distribuição de gás no Estado – quer estimular o uso do GNV não só por taxistas, mas ainda para outros profissionais que rodam muito com seus veículos, como representantes comerciais, vendedores externos ou mesmo proprietários de automóveis que querem reduzir seus custos com gasolina ou álcool.

     Para atingir o objetivo de fazer com que o público volte a procurar esse combustível, a Copergás vai estender para todos o bônus de R$ 500 na compra de kits de conversão, hoje só oferecido aos taxistas. A diferença é paga pela Copergás diretamente à oficina convertedora. A expectativa da empresa é que o número de conversões aumente de 20% a 25% já este ano. “O preço na bomba do posto deve ficar em torno de R$ 1,50”, afirmou Aldo Guedes, presidente da Copergás. Ele explicou que a redução vai se dar por conta da isenção da alíquota de 17% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

     A notícia de que o gás natural veicular pode baixar é recebida com desconfiança por alguns taxistas. É o caso de Gilvan Brayner. Há dois anos, ele comprou um Siena Tetrafuel, único carro nacional com o kit para uso de GNV instalado de fábrica. “Se o preço do gás baixar, vai ajudar muito. Do jeito que está, compensa pouco”, diz o motorista. Para quem pensa em instalar o kit gás, é bom antes fazer as contas e colocar na balança prós e contras. A expectativa é a que, com a redução de preços do GNV e o aumento no preço da gasolina anunciado para os próximos meses, a diferença de preço entre os dois combustíveis chegue a 50%. A economia na hora de abastecer impressiona. O dono de um Gol 1.0 que hoje gasta R$ 26,70 para rodar 100 quilômetros com gasolina precisa de R$ 15 para cobrir a mesma distância com o GNV.

     Mas, para poder desfrutar da economia do gás, é necessário instalar um kit de conversão. O equipamento mais barato custa a partir de R$ 1.600, preço médio de um kit básico que inclui o cilindro de aço de 7,5 m³. Com ele, o gás armazenado permite rodar entre 90 e 100 quilômetros. Se quiser ir mais longe, o dono do carro precisa colocar um cilindro maior. O preço do mais sofisticado vai de R$ 3 mil a R$ 7 mil. A peça vai encarecer o preço do kit e roubar mais espaço no porta-malas, sem falar no peso a ser transportado, que é cerca de 70 quilos. Para fazer a transformação para o carro rodar com álcool e gasolina (no caso do flex) e gás, é necessário submeter o carro a uma vistoria e modificar a documentação no Detran, uma despesa extra de cerca de R$ 200. Somando custos de instalação e documentos, o proprietário terá que rodar um mínimo de 100 quilômetros por dia para tirar o investimento em um ano.

     Robson Moreira, gerente da convertedora Via Gás, localizada em Olinda, lembra que nos tempos áureos do GNV barato convertia 80 carros por mês. Hoje, o número estacionou em 20 veículos, a maioria táxis. Ele explica que a tecnologia resolveu maior parte dos problemas atribuídos ao GNV antigamente. A perda de potência, por exemplo, quase não é sentida com o uso dos kits atuais. Por usarem bastante eletrônica, eles permitem um rendimento maior do motor embora custem mais caro.

Fonte: Jornal do Commercio – Veículos – 03/01/2012