Recife-Caruaru está pronto, finalmente

22/12/2009

Trabalhos levaram quase cinco anos para ser concluídos e custaram R$ 116 milhões. Capacidade é de 1 milhão de metros cúbicos

Depois de quase cinco anos de obras (e interrupções), o gasoduto Recife-Caruaru foi finalmente inaugurado ontem. Com 120 quilômetros de extensão, tem capacidade para transportar 1 milhão de metros cúbicos diários de gás natural para atender os mercados industrial, residencial, comercial e automotivo da região. Por enquanto, a demanda é de 100 mil metros cúbicos/dia. Aproveitando a solenidade, em Caruaru, o governo lançou a pedra fundamental da central de distribuição de gás natural comprimido (GNC), segunda etapa do processo de interioriorização do combustível no estado.

O diretor técnico-comercial da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), Jailson Galvão, disse que a licitação “já está na rua” e os envelopes com as propostas devem ser abertos já na próxima segunda-feira (28). A ideia é começar as obras em janeiro. “A instalação básica deve ser executada em 30 dias. É fazer pavimentação, puxar a tubulação que vai ofertar o gás às empresas”, explicou Galvão. Empresas especilizadas farão a compressão do gás.O GNC deve ser levado para clientes em Toritama, Garanhuns, Arcoverde.

O lançamento da pedra fundamental da central foi acompanhada por uma novidade tributária: a assinatura de um decreto isentando o GNC da cobrança de ICMS como forma de incentivar a expansão do produto. “Desta forma compensamos o preço do frete e garantimos o abastecimento para todo o estado”, justificou o governador Eduardo Campos em seu discurso. Jailson Galvão informou que o projeto executivo para ampliar mais o gasoduto para o interior será desenvolvido. “É a tendência natural. Mas não temos prazo”.

Não há prazo, mas deve existir demanda. De pelo menos 200 mil metros cúbicos/dia. É que o governo e a Petrobras assinaram um protocolo de intenções para converter os fornos das empresas de gesso do Araripe. Segundo Galvão, as empresas buscarão a melhor opção tecnológica para efetivar a conversão. A expectativa é a de que alguns fornos troquem a lenha pelo gás natural ainda no primeiro semestre de 2010. O governo chegou a negociar com a WhiteMartins, no fim de 2008, uma alternativa para o transporte do gás de caminhão de Caruaru até Araripina.

Seriam construídas duas centrais. A primeira, em Caruaru, transformaria o gás em líquido. A segunda, em Araripina, desfaria essa transformação. A região do Araripe é considerada a maior produtora de gipsita do país, responsável por mais de 90% da demanda nacional, e vem utilizando a lenha e óleo em suas calcinadoras. “O GNC será uma opção de energia limpa para os empresários que não podem mais queimar lenha, por questões ambientais”, destacou Eduardo Campos. O projeto inicial de interiorização do gás natural em Pernambuco previa estender o gasoduto por 1.079 quilômetros.

Orçamento estourado

O investimento total para a construção dos 120 quilômetros do gasoduto Recife-Caruaru chegou a R$ 116 milhões, R$ 21 milhões a mais que estava escrito no contrato inicial. As obras foram iniciadas em janeiro de 2005. Pelo cronograma inicial, os trabalhos deveriam ter sido concluídos em janeiro de 2007. Mas, depois de finalizar 70% do trecho, a construtora baiana GDK desligou as máquinas. A empresa alegou que encontrou muitas áreas com rochas pelo caminho, dificultando a operação.

A GDK pediu à Copergás o realinhamento do contrato em quase R$ 50 milhões. A companhia não pagou. Decidiu contratar um estudo junto à Fade (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UFPE) para confirmar se o pedido era válido ou não. Com a resposta negativa, o contrato foi cancelado e uma nova licitação foi realizada. Acabou vencida pela empresa alagoana TecMaster, que retomou a obra em agosto de 2008.

Por ocasião da confirmação do contrato com a TecMaster, o presidente da Copergás, Aldo Guedes, disse que não haveria nenhum prejuízo financeiro. “No final, os trabalhos vão custar os mesmos R$ 95 milhões. O único problema é o atraso”, chegou a declarar em junho de 2008. Os tubos de aço – com 12 polegadas de diâmetro – vieram da China e custaram US$ 9,3 milhões. Ontem, durante a inauguração, as autoridades deixaram de lado os problemas. “O gás, além de atrair mais empreendimentos e levar o desenvolvimento para o interior, é uma ferramenta para cuidar melhor do meio ambiente”, destacou o governador Eduardo Campos.
Diario de Pernambuco – Economia – 22/12/2009